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quarta-feira, 20 de março de 2013

BIBLIOTECA ESCOLAR EM PAUTA


A BIBLIOTECA ESCOLAR EM PAUTA

“As palavras são portas e janelas. Se debruçarmos e repararmos, nos inscrevemos na paisagem. Se destrancarmos as portas, o enredo do universo nos visita. Ler é somar-se ao mundo, é iluminar-se com claridade do já decifrado. Escrever é dividir-se. Cada palavra descortina um horizonte, cada frase anuncia outra estação. E os olhos, tomando das rédeas, abrem caminhos, entre linhas, para viagens do pensamento. O livro é passaporte, é bilhete de partida”.
(Bartolomeu Campos de Queirós )
I . A BIBLIOTECA ESCOLAR – NOVA CONCEPÇÃO
Biblioteca Escolar é o local aonde se forma o leitor crítico, mas para tanto , deve ser pensada como um espaço de produção cultural em que as crianças e jovens sejam criadoras e não apenas consumidoras de cultura. É o lugar de práticas intertextuais, em que os alunos podem interagir com diversos textos e gêneros discursivos.Se levarmos em conta os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) a biblioteca será um espaço diversidade textual. O  ensino da Língua Portuguesa, proposto neste documento, prevê o uso intensivo de textos que circulam socialmente em seus suportes originais. Portanto, uma variedade de textos, de gêneros e de suportes  deve compor o acervo da biblioteca. A o acervo da biblioteca deve ser formado em função das propostas curriculares  de cada área , oferecendo materiais de consulta os mais diversos os mais diversos: enciclopédias , atlas, jornais , revistas, dicionários , seja no formato impresso ou eletrônico.
 O que estrutura esse novo conceito de biblioteca  escolar como lugar de formação de leitores?
1.            O ambiente físico concebido como espaço de comunicação  e não apenas de informação;
2.          A coleção de livros e outros materiais bem selecionados e atualizados;
3.            A figura do mediador.
São objetivos específicos da Biblioteca Escolar:
a. Estimular nos alunos a formação de hábitos e gosto pela leitura;
b. Ampliar a oportunidade de acesso à informação;
c. Integrar as atividades às desenvolvidas na sala de aula;
d. Estimular a leitura crítica enquanto  processo de interpretação e construção do conhecimento;
e. Desenvolver a técnica de pesquisa e orientar os alunos quanto aos livros a serem consultados;
f.Promover a implementação de oficinas de leitura;
g. Vivenciar experiências  culturais tais como :exposições , palestras, entrevistas e debates;
h. Desenvolver atitudes de cidadania para com o espaço e material coletivo.

II. A NOVA BIBLIOTECA ESCOLAR E A FORMAÇÃO DO LEITOR
A leitura  que por muito tempo foi oferecida como uma exigência escolar a ser cumprida de modo exclusivamente dirigido, não espontâneo e não desejado.
Ensinar a “ler”, é antes de tudo, ensinar a escolher, mais do que submeter o aluno a uma lista interminável de livros e outros,  obrigando-o a tornar-se leitor; a mediação do professor poderá favorecer o encontro dos alunos com diversos textos, de modo que possam partir deste texto exercício, selecionar o tipo de leitura que desejam realizar. O trabalho pedagógico relacionado à leitura precisa, portanto estar compromissado com o prazer e com a sedução.
Portanto, é fundamental que a escola possibilite as trocas entre a literatura e outros textos de circulação social contribuindo para a formação de leitores críticos e competentes. Ao desenvolver práticas diversificadas de leitura, de modo crítico e criativo, a escola se constitui num espaço fundamental a constituição de “leitura do mundo”, que conforme Paulo Freire  precede a leitura da palavra.
Mas o governo precisa avançar mais no sentido de fazer com que a Biblioteca Escolar faça parte efetivamente da proposta pedagógica das escolas.
III.INCIATIVAS GOVERNAMENTAIS
1982: Houve um projeto pioneiro de distribuição de livros nas escolas públicas ( iniciada privada e não governamental)
1987: O governo criou seu programa, Sala de Leitura,  que foi a semente do atual Programa Nacional da Biblioteca na Escola.
2010: Por falta de um projeto oficial e por pressão da sociedade civil, foi sancionada a  lei , que obriga a todos os estabelecimentos de ensino do país a “construírem bibliotecas até 2020 e outra que institui o Dia Nacional da Leitura.
O QUE ORIENTA O TRABALHO PARA A FORMAÇÃO DO LEITOR?
•             LER O MUNDO E LER A PALAVRA;
Para interagir com os diferentes tipos de texto de modo efetivo, é preciso compreender, intrepretar e articular as informações, estabelecendo relações entre o que se  lê e a realidade em que se vive;
•             LER COM OS ALUNOS / LER PARA OS ALUNOS:
A formação do aluno-leitor pressupõe seu envolvimento em situações significativas de leitura, em que o prazer de ler ocupe o lugar central.
•             PROFESSOR – LEITOR, ALUNO – AUTOR:
O é imprescindível que o  professor responsável pela biblioteca  seja  um leitor e que haja uma articulação entre ele e professor regente de turma;  tal integração faz com o aluno dialogue com vários tipos de texto, criando e recriando seus próprios textos, livros e      imagens,produzindo  sites ou blogs.
•             VIVER A LITERATURA
A partir das histórias contadas para os alunos ou lidas por eles , várias  propostas devem ser vivenciadas  desafiando-os a refletir, argumentar, opinar e se assumirem como protagonistas do processo.
•             BIBLIOTECA ESCOLAR – UM CONVITE AO LEITOR
Este espaço deve ser organizado, agradável, acolhedor e convidativo, em que o material esteja ao alcance dos alunos;
IV. PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO OU MEDIADOR DE LEITURA
•             LEITOR CRÍTICO: É CAPAZ DE DISTINGUIR NO MOMENTO DA SELEÇÃO E DA INDICAÇÃO DE LIVROS A BOA LITERATURA INFANTIL E JUVENIL DAQUELA ENCOMENDADA, QUE PREPARA O LEITOR EM FORMAÇÃO PARA A  ACEITAÇÃO DE OUTROS TEXTOS  MAIS COMPLEXOS NO FUTURO.
•             PREPARADO PARA O CONFRONTO: SEMPRE RENOVADO COM A CRIANÇA E O JOVEM ATRAVÉS DA LITERATURA SEM COBRANÇAS MECÂNICAS DE COMPREENSÃO DO TEXTO LIDO E SEM FÓRMULAS RÍGIDAS DE INDICAÇÃO POR IDADE
V. A BIBLIOTECA ESCOLAR -  A INTERNET E A PESQUISA
O acesso à Internet nas escolas é muito importante para garantir material aos trabalhos escolares e permitir que os alunos aprendam a utilizar esse recurso informacional de forma crítica e responsável.
Esta seria outra função da  Biblioteca Escolar, tornando-se a mesma o espaço ideal para  isso. Entretanto, recentes pesquisas apontam que apenas 25% dos alunos utilizam a Internet no ambiente  escolar e que 75% a acessam em casa de amigos, parentes e em lan-houses;  isso mostra que quem influencia mesmo o jovem internauta na escolha dos sites, não é a escola, nem o professor ou bibliotecário. As cópias de informação nas pesquisas escolares mostram que a escola deve desenvolver habilidades de:  ler,interpretar,resumir e  parafrasear, que são a  base para a aprendizagem significativa, cabendo ao profissional que trabalha na biblioteca  ser o mediador entre o aluno e a informação, transferindo para o universo virtual as competências desenvolvidas na sua prática com o mundo impresso, estando assim numa posição privilegiada para exercer essa  função de mediador. Mas são necessárias ações mais diretas por parte da escola, para tornar a Internet um real espaço de formação.
VI. FASES DO DESENVOLVIMENTO LEITOR
Existem fases importantes do leitor  de acordo com a sua faixa  etária e é importante conhecê-las para a escolha acertada da história a ser contada e/ou livro a ser lido ou indicado.
 PRÉ-LEITOR
A partir de 4/5 anos
Fase da descoberta do mundo concreto e do mundo da linguagem, estabelecimento de relações entre imagens e palavras. Fase da leitura visual e preferência por livros que propõem vivências radicadas no cotidiano familiar, cenas individualizadas e textos com rimas.
LEITOR INICIANTE
A partir de 6/7 anos
Fase de aprendizagem da leitura. O leitor reconhece a formação das sílabas simples e complexas. Inicia o processo de socialização e de racionalização da realidade, e tem preferência por histórias bem-humoradas, em que a astúcia do fraco vence a prepotência do forte; aventuras no ambiente próximo, histórias de animais, fantasia e problemas infantis.
LEITOR EM PROCESSO
A partir de 8/9 anos
Fase em que o leitor já domina o mecanismo da leitura, acentuando-se o interesse pelo conhecimento do mundo. Inicia a consolidação do processo de alfabetização e tem atração pelos desafios e pelos questionamentos de toda  natureza. Preferência pelos contos fantásticos, contos de fadas, folclore, histórias de humor e animismo.
LEITOR FLUENTE
A partir de 10/11 anos
Fase da consolidação do domínio do mecanismo da leitura. Desenvolvimento da capacidade de abstração aliada ao pensamento formal e reflexivo. Fase da pré-adolescência e interesse pela participação em grupos ou equipes, daí a preferência pelos heróis ou heroínas que lutam por ideais humanitários e justos. O leitor também aprecia aventuras sensacionalistas de detetives e fantasmas, ficção científica, histórias da atualidade e de amor.
LEITOR CRÍTICO
A partir de 12/13 anos
Fase de total domínio da leitura e da linguagem escrita. Desenvolvimento do pensamento crítico e reflexivo. Capacidade de assimilar ideias e reelaborá-las a partir da própria experiência. Preferência por aventuras intelectualizadas, viagens, conflitos psicológicos, crônicas e contos. A partir de 14 anos, o leitor crítico e independente se aproxima cada vez mais da literatura adulta.

VII. CUIDADOS AO CONTAR  ou LER UMA HISTÓRIA
1) COM RELAÇÃO AO CONTADOR:
•             Tem que ser leitor
•             Ter boa memória
•             Ter relação afetiva com a história
•             Olhar no olho do ouvinte
•             Controlar a voz – clareza e altura adequada
•             Mudança de timbre é aconselhável para não cansar a plateia
•             Não esquecer de falar a fonte do texto, autor, ilustrador e  editora
•             Mostrar se possível a fonte caso não leia a história
•             Só se deve fazer “ vozes diferentes ”, se estiver seguro pra isso
2) COM RELAÇÃO À HISTÓRIA
•             Lembrar que existem histórias para crianças
•             Sendo texto literário deve-se respeitar integralmente o texto
•             O conto popular propicia maior liberdade ao contador
•             Numa sessão aconselha-se alterar tipos diferentes de contos: alegres/tristes;folclóricos e literários etc.
•             As pausas devem ser dadas nos momentos certos
•             Ter bom senso quanto ao tempo de duração da história de acordo com a faixa etária
3) COM RELAÇÃO AO AMBIENTE:
•             Ter boa acústica
•             Os ouvintes preferencialmente em semicírculos
•             Os ouvintes já deverão saber antecipadamente de que se trata de uma sessão de história
•             Evitar que haja interferência externa de outros elementos
•             Deve-se criar um clima de encantamento e magia

4) PRÉ-LEITURA (incentivação):
Levar  a criança a se interessar pelo tema da leitura através de: canções , expressão corporal, dança, observação, contato com a realidade, através de :
•             conversa informal : deixar as crianças falarem tudo o que sabem sobre o personagem
•             ler uma poesia,notícia de jornal, manchete,conto,piada , curiosidade etc.
•             surpresa:embrulhar um objeto que tenha a ver com a história deixar que as crianças toquem , apalpem e cheirem; a partir daí, o professor começa a contar a história
•             exploração da capa do livro: imagem e título

VIII. A BIBLIOTECA ESCOLAR  - O ESPAÇO FÍSICO
O PLANEJAMENTO DO ESPAÇO DA BIBLIOTECA ESCOLAR DEVE SER FEITO EM FUNÇÃO DO ACERVO E DO USO QUE SE PRETENDE DO MESMO. A  PREOCUPAÇÃO EM OFERECER UM AMBIENTE ACOLHEDOR, DE FORMA  A REFORÇAR O PRAZER DE LER , LEVOU À CRIAÇÃO NAS BIBLIOTECAS, DE ESPAÇOS ACONCHEGANTES, VISANDO ESPECIALMENTE ATRAIR CRIANÇAS MENORES QUE SE ENCONTRAM NA IDADE DE DESCOBRIR O GOSTO PELAS HISTÓRIAS  CONTADAS OU LIDAS PELOS CONTADORES.
1.DECORAÇÃO AGRADÁVEL: ALMOFADAS, TAPETES, MESAS, ESTANTES DE FORMA A DEIXAR O AMBIENTE AGRADÁVEL;
2. O ACERVO COM MATERIAL BEM SELECIONADO: LIVROS DE LITERATURA, OBRAS DE REFERÊNCIA, PERÍODICOS, REVISTAS, JORNAIS, GIBIS ETC;
3. EQUIPAMENTOS: COMPUTADORES, SOM, DATASHOW;
4. ESPAÇOS SEPARADOS PARA ATIVIDADES COM CRIANÇAS MENORES E MAIORES;
5.  SER REFERÊNCIA DE  ESPAÇO COLETIVO, OFERECENDO OPORTUNIDADES PARA O EXERCÍCIO DA CIDADANIA E PRAZER, NUNCA UM ESPAÇO PARA CASTIGO OU DEPÓSITO DE MATERIAIS.
IX. BIBLIOTECA ESCOLAR E A EDUCAÇÃO INFANTIL
Os conteúdos propostos pelo Referencial Curricular para a Educação Infantil demandam de matérias que poderão ser organizados num espaço coletivo denominado biblioteca que na E. I. é chamado de Cantinho da Leitura ou Bebeteca. Já foi mais do que comprovado que os textos literários possuem um lugar especial nas atividades com  a linguagem. A leitura e a escrita de histórias, permeiam todo período de escolarização, desde os primeiros anos, mesmo antes de a criança dominar o código linguístico, quando se busca construir uma atitude de curiosidade pelo livro e pelo prazer pela leitura.Isso se consegue com a diversidade  de textos , bem selecionados e criativos, ricos e com ilustrações de  qualidade.
BEBETECA
1.Objetivos da Bebeteca
•             Introduzir o hábito da leitura.
•             Ampliar o universo cultural.
•             Apresentar procedimentos de contato com os livros.
•             Desenvolver o gosto e o prazer pela leitura compartilhada como forma de aprender, socializar-se e interagir.
2.Materiais necessários
Uma Bebeteca deve ter um ambiente elaborado para os futuros leitores: livros  de boa qualidade  adequados às características da faixa etária (exemplares de tecido ou plástico, de tamanhos variados, com dobraduras, de papel cartonado, com texturas etc.), prateleiras baixas, pinturas nas paredes e brinquedos espalhados em um tapete de borracha.
3.ATIVIDADES DE UMA BEBETECA
Existem muitos recursos a serem utilizados para tornar o momento da contação interessante, como:
_flanelógrafo, quadro de pregas, álbum seriado, álbum sanfonado, transparência, cineminha, teatrinho, fantoches, dedoches, máscaras e atualmente CD e DVD;
_Contar uma história apresentando objetos que fazem  parte da mesma , na sequência em que aparecem na história;
_Utilizar livros sonoros, que contém um dispositivo que a um leve toque, faz um barulho característico a pessoa ou animal citado;
_Manuseio de livros de pano e feltro que têm, em todas as páginas, desenhos de bichos e fotos de cada um dos bebês, lado a lado , como se fossem personagens da história , o fato de se reconhecer na foto, o estimula  a escolher outros livros;
_ Empréstimo de livros.
XI. A BIBLIOTECA ESCOLAR - O ACERVO
O acervo da sala é um recurso de aprendizagem muito utilizado por professores que lecionam na Educação Básica e pelos professores que lecionam Língua Portuguesa no desenvolvimento de atividades variadas de ensino da língua escrita  e oral.
O acervo deve ser bem selecionado e variado e nesse sentido a biblioteca deve ser chamada a contribuir para  manter o seu dinamismo e dar o suporte necessário às atividades reais e diversificadas.
XI. A BIBLIOTECA ESCOLAR E SUA DIVERSIDADE DE ATIVIDADES:
O ideal de trabalho para formação do leitor deve incorporar o uso e a  produção de diversas mídias e suas respectivas linguagens ( livros, revistas, vídeos, jornal, rádio,Internet entre outras, desenvolvendo atividades de:
•             Contação de histórias;
•             Realização de oficinas para professores e alunos;
•             Orientação de pesquisas escolares;
•             Realização de empréstimos do acervo disponível;
•             Divulgação de programação cultural da cidade, dicas  de livros, vídeos e sites, entre outros;
•             Encontros com autores;
•             Organização de visitas a espaços culturais;
•             Desenvolvimento de projetos afins;
•             Organização de clubes de leitura e cineclube.

 Profª Valdete Silva

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